quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Os livros e as histórias


“Quem nunca se escondeu por debaixo dos cobertores da cama a ler à luz da lanterna eléctrica, depois de o pai ou a mãe ou qualquer outro adulto lhe ter apagado a luz, com o argumento bem-intencionado de que são horas de ir para a cama, pois no dia seguinte é preciso levantar cedo...
Quem nunca chorou, às escondidas ou diante toda a gente, lágrimas amargas porque uma história maravilhosa chegou ao fim e é preciso dizer adeus a personagens na companhia das quais se viveram tantas aventuras, que se amaram e admiraram, pelas quais se temeu e ansiou, e sem cuja companhia a vida parece vazia e sem sentido....
Quem não conhece tudo isto por experiência própria provavelmente não pode compreender o que Bastian fez em seguida...”


Fragmento de A história interminável, Michael Ende



Este é um dos meus fragmentos favoritos.

É verdade, recordo-me perfeitamente das aventuras que passei com um livro, e que ainda passo.

Há dias, posso mesmo dizer à anos, ia no comboio a ler aquele que passou a ser o meu livro para sempre, Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago, quando dei por mim a chorar compulsivamente, levando um senhor a perguntar se eu estava bem.

É que estava a sentir exactamente o que as personagens sentiam, o cheiro, a fome, a angústia...

Foi único, e tenho a certeza que mais ninguém sentiu o que eu senti, porque os livros são assim mesmo, transmissores de sentimentos únicos.


É por isso que contar histórias é importante. Não me digam que não incentiva à leitura, porque eu leio desde que comecei a ouvir histórias em pequena.

Contar histórias é o salto para o livro, a criança ao chegar a uma certa idade, sente necessidade de viver as suas experiências sozinho, por isso recorre ao livro.

Talvez por isso me tenha tornado contadora de histórias porque, tive necessidade de transmitir o que sentia ao ler os livros sozinha.



Pelo sonho é que vamos, bem me disse o escritor António Mota e eu acredito...

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